Madre Teresa de Calcutá, cujo nome verdadeiro é
Agnes Gonxha Bojaxhiu (Skopje, 26 de Agosto
de 1910 — Calcutá,
5 de
Setembro de 1997), foi uma
missionária católica albanesa,
nascida na República da Macedônia e naturalizada indiana,
beatificada pela Igreja Católica. Considerada, por alguns, a
missionária do século XX,
fundou a congregação "Missionárias da Caridade".
Biografia
Agnes Gonxha Bojaxhiu, nasceu em 26 de agosto de 1910, em
Skopje, na Macedônia, filha de pais albaneses, numa família de três
filhos, sendo duas moças e um rapaz. Freqüentou uma escola não
católica.
Aos 12 anos, ouviu um jesuíta
que era missionário na Índia dizer: “Cada qual em sua
vida deve seguir seu próprio caminho”. Tais palavras
a impressionaram e se determinou a dar um sentido à sua
vida, a entregar-se a serviço dos outros: fazer-se
missionária. E já nesta idade procurou o referido jesuíta para
saber como fazer isso, ao que o prudente homem respondeu que
aguardasse a confirmação do tempo e da “voz de
Deus”.
Seis anos mais tarde, cada vez mais convicta de sua vocação,
solicitou a admissão na
Congregação das Irmãs do Loreto
que trabalhava em Bengala, mas teve
primeiro de aprender a língua inglesa em Dublim. De Dublim foi enviada para a Índia em 1931 a fim de iniciar
seu noviciado em Darjeeling no
colégio das Irmãs de Calcutá.
No dia 24 de maio de
1931, fez a profissão religiosa, e emitiu os votos temporários de
pobreza, castidade e obediência tomando o nome de "Teresa". A
origem da escolha deste nome residiu no fato de ser em honra à
monja francesa Teresa de
Lisieux, padroeira das missionárias, canonizada em
1927 e conhecida como Santa Teresinha.
De Darjeeling passou para Calcutá, onde exerceu, durante os
anos 30 e
40, a docência em
Geografia no colégio bengalês de Sta Mary,
também pertencente à congregação de Nossa Senhora do Loreto.
Impressionada com os problemas sociais da Índia, que se refletiam
nas condições de vida das crianças, mulheres e velhos que viviam na
rua e em absoluta miséria, fez a profissão perpétua a 24 de
maio de 1937.
Com a partida do colégio, tirou um curso rápido de enfermagem, que veio a tornar-se um pilar
fundamental da sua tarefa no mundo.
Em 1946, decidiu reformular a sua trajetória de
vida. Dois anos depois, e após muita insistência, o Papa
Pio XII permitiu que abandonasse as suas funções
enquanto monja, para iniciar uma nova congregação de caridade, cujo
objetivo era ensinar as crianças pobres a ler. Desta forma, nasceu
a sua Ordem – As Missionárias da Caridade. Como hábito,
escolheu o sári, nas cores — justificou ela —
"branco, por significar pureza e
azul, por ser a cor da Virgem Maria". Como princípios, adotou o
abandono de todos os bens materiais. O espólio de cada irmã
resumia-se a um prato de esmalte, um jogo de roupa interior, um par
de sandálias, um pedaço de sabão, uma almofada e um colchão, um par
de lençóis, e um balde metálico com o respectivo número.
Começou a sua atividade reunindo algumas crianças, a quem
começou a ensinar o alfabeto e as
regras de higiene. A sua tarefa diária centrava-se na
angariação de donativos e na difusão da palavra de alento e de
confiança em Deus.
No dia 21 de
dezembro de 1948, foi-lhe
concedida a nacionalidade indiana. A partir de 1950 empenhou-se
em auxiliar os doentes com lepra.
Em 1965, o Papa Paulo
VI colocou sob controle do papado a sua congregação e
deu autorização para a sua expansão a outros países. Centros de
apoio a leprosos, velhos, cegos e doentes com HIV surgiram em várias cidades do mundo, bem
como escolas, orfanatos e
trabalhos de reabilitação com presidiários.
Servindo ao mundo
Ao primeiro lar infantil ou "Sishi Bavan" (Casa da Esperança),
fundada em 1952, juntou-se o "Lar dos Moribundos", em
Kalighat.
Mais de uma década depois, em 1965, a Santa
Sé aprovou a Congregação Missionárias da Caridade e, entre 1968 e
1989, estabeleceu a sua presença missionária
em países como Albânia,
Rússia, Cuba, Canadá, Palestina,
Bangladesh, Austrália,
Estados Unidos da América, Ceilão, Itália, antiga
União
Soviética, China, etc.
O reconhecimento do mundo pelo seu trabalho concretizou-se com o
Templeton Prize, em 1973, e com o
Nobel da Paz, no dia 17 de
outubro de 1979.
Morreu em 1997, aos 87 anos, mas o seu trabalho missionário
continua através da
irmã Nirmala, eleita no dia
13 de março de 1997 como sua
sucessora. Tratado como um funeral de Estado,
vários foram os representantes do mundo que quiseram estar
presentes para prestar a sua homenagem. As televisões do mundo
inteiro transmitiram ao vivo durante uma semana, os milhões que
queriam vê-la no estádio Netaji. No dia 19 de
outubro de 2003, o Papa João
Paulo II beatificou Madre Teresa.
Um de seus pensamentos era este: “Não usemos bombas nem
armas para conquistar o mundo. Usemos o amor e a compaixão. A paz
começa com um sorriso”.
A "noite
escura" de Madre Teresa
Uma coleção de cartas dirigidas a uns
poucos conselheiros espirituais e recolhidas no livro "Madre Teresa
venha, seja minha luz" (Mother Teresa: Come Be My Light)
publicado em 4 de
setembro de 2007, traduzido e
publicado no Brasil pela editora Thomas Nelson, organizado pelo
Padre Brian
Kolodiejchuk, postulador da causa da sua canonização
revelaram, segundo alguns, dúvidas profundas de madre Teresa sobre
sua fé em Deus, provocando discussões sobre uma possível posição
agnóstica.
Madre Teresa, em suas cartas,
descreveu como sentia falta de respostas de Deus
Em 1956 escreveu: "Tão profunda ânsia por
Deus - e ... repulsa - vazio - sem fé - sem amor - sem fervor.
Almas não atrai - O céu não significa nada - reze por mim para que
eu continue sorrindo para Ele apesar de tudo." Em 1959:
"Se não houver Deus - não pode haver alma - se não houver alma
então, Jesus - Você também não é real."
Uma de suas cartas ao Padre Neuner dizia: "Pela primeira vez ao
longo de 11 anos - cheguei a amar a escuridão. - Pois agora
acredito que é parte, uma parte muito, muito pequena da escuridão e
da dor de Jesus neste mundo. O Senhor ensinou-me a aceitá-la [como]
um 'lado espiritual de sua obra', como escreveu. - Hoje senti
realmente uma profunda alegria - que Jesus já não pode passar pela
agonia - mas que quer passar por mim. - Abandono-me a Ele mais do
que nunca. - Sim - mais do que nunca estarei à disposição."
No entanto, o texto de suas cartas não deve afetar a campanha
por sua santificação, já que a Igreja defende que outros santos
também demonstraram dúvidas em relação a sua fé, como por exemplo
São Tomé
Segundo o postulador da causa da canonização de Madre Teresa e
autor do livro, a sua crise espiritual começou nos anos 50, logo
após a fundação da ordem das Missionárias da Caridade; a partir daí "viveu
uma grande fase de escuridão interior que se prolongou até a sua
morte". "Sabia que estava unida a Deus, mas não conseguia sentir
nada
Este fenômeno é conhecido na tradição e na
teologia mística cristã, e foi
São João
da Cruz quem o chamou de noite escura do
espírito, o que considera uma etapa no caminho de alguns
santos no caminho de identificação com Deus.
- Silêncio divino. Bento XVI
comentando as cartas disse que este silêncio serve para que os
crentes percebam a situação daqueles que não acreditam em Deus.
Falando sobre as experiências místicas da beata disse que "tudo
aquilo que já sabíamos se mostra agora ainda mais abertamente: com
toda a sua caridade, a sua força de fé, Madre Teresa sofria com o
silêncio de Deus
- Antídoto contra o sentimentalismo.
Kolodiejchuk enxerga na atitude da beata um antídoto contra o
sentimentalismo: "A tendência em nossa vida espiritual, e também na
atitude mais geral relativamente ao amor, é que o que conta são os
nossos sentimentos. Assim a totalidade do amor é o que sentimos.
Mas o amor autêntico a alguém requer o compromisso, fidelidade e
vulnerabilidade. Madre Teresa não "sentia" o amor de Cristo, e
poderia ter cortado, mas levantava-se às 4:30 h. cada manhã por
Jesus e era capaz de escrever-lhe: Tua felicidade é o único que
quero. Este é um poderoso exemplo, inclusive em termos não
puramente religiosos
O jornal The New York
Times em editorial de 5 de
setembro de 2007 assinala que
Madre Teresa em uma de suas cartas afirma que se alguma vez
chegarei a ser santa, seguramente o serei da escuridão. O
editorial cita a jornalista e escritora Flannery
O’Connor, católica, que passou por uma difícil
enfermidade de natureza degenerativa, que escreveu que existem
pessoas que "pensam que a fé é um grande cobertor elétrico, quando
é com certeza a cruz". O artigo procura estabelecer um paralelismo
entre o sofrimento dessas duas mulheres quando considera que "ambas
não falaram sobre o seu próprio sofrimento e continuaram a
trabalhar. "Madre Teresa, enferma de nostalgia por um sentido do
divino, manteve a fé com os enfermos de Calcutá", conclui o
editorial
Michael Gerson, colunista do Washington Post, a respeito da "noite escura"
de Madre Teresa, escreve que este fato interior e o contraste
externo de sua alegria e sorriso não podem ser considerados como se
fosse hipocrisia. Afirma que "Há uma espécie de valentia na perda
da ilusão sem perder o coração" e que "a santidade tem que ver mais
com obediência que com sentimentos espirituais, que a fé pode
coexistir com o sofrimento e a dúvida, que a santidade pode ser
mais áspera e mais difícil do que imaginamos
Madre Teresa, apesar de sua veneração pelos católicos, é
fortemente atacada por diversos estudiosos como Christopher
Hitchens Richard
Dawkins.
Em seu livro
The Missionary Position: Mother Teresa in
Theory and Practice, Christopher
Hitchens levanta questões, como o desvio de dinheiro de
doações para proveito próprio de sua irmandade, promovendo o
sofrimento dos pobres como um meio de arrecadar fundos. O livro de
Christopher
Hitchens levanta, também, questões acerca do
relacionamento da madre com figuras como Jean-Claude
Duvalier e o economista Charles
Keating, responsável pelo roubo de dezessete mil
investidores, de um montante de 250 milhões de dólares, tendo
efetuado uma doação de 1,25 milhões à irmandade de madre Teresa,
que não se posicionou sobre o caso.
Sanal
Edamaruku, presidente do grupo Rationalist
International, no dia da beatificação da freira, a
acusou de mostrar uma imagem distorcida de Calcutá, onde
o grupo da religiosa nem se faz tão presente. Sanal demonstrou que
diversos argumentos e fatos defendidos pela freira são sem
fundamentos ou manipulados para se adequar à sua visão de pobreza,
e que os abrigos da irmandade de Teresa serem construídos de modo
desorganizado, tornando-se focos de contaminação e desordem
A beatificação de Madre Teresa também foi motivo
de controvérsias. O processo era geralmente iniciado após 7 anos a
morte do indivíduo. Madre Teresa foi beatificada um ano após sua
morte (1998), com a ocorrência de um pretenso milagre
ocorrido com
Monica Besra, uma indiana, que se disse curada de um
tumor no ovário após tocá-lo com uma medalha de Madre
Teresa.[carece de
fontes]
Os médicos que tratavam de Monica afirmaram que a cura foi
resultado do tratamento a que ela foi submetida. O marido de
Monica, Seiku Murmu, mesmo desprezou a ocorrência do milagre. A
irmã Betta, das Missionárias da Caridade, irmandade de Madre
Teresa, solicitou o prontuário da paciente, mas evita fazer
comentários sobre os exames e evolução do tratamento
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